sexta-feira, 10 de agosto de 2012






A não ser pelo tempo transcorrido
A tarde se desenrolava normalmente
da mesma forma como sempre 
pelas ruas da cidade
e a pele do meu pescoço

Havia sol, e os pedestres corriam  
de um lado ao outro,
estressados, com medo de algum ladrão 
carregando alguma coisa
embrulhada com elásticos
escondida em suas mochilas

Enquanto os padres e os cães
se deslocavam lentamente
carregando flores
E toda matéria escura
carregada pelo vento
movia-se ao redor de todos...

Meu olho esquerdo está pegando fogo
e a pele continua se soltando lentamente

Percebo que há uma mancha roxa
em forma de mapa do Canadá 
de ponta cabeça  embaixo do meu queixo
Soprada para longe pelo vento
Criando tempo.

Acredito ter visto uma bolha de vidro maleável 
voando no fim daquele túnel 
por onde acidentalmente eu entrei pela primeira vez em dezembro
e me transformei nessa abominação branca e voadora
distribuindo cartões 

 Eu fiz dois furos nas mãos e marquei uma data qualquer no calendário,
só para ver se ainda sentia aquele perfume de galinha 
atrás da orelha e revirava os olhinhos, 
perdido mais uma vez em frango com Catupiry. 
pão .com .Remella Rosbife 4LKBps o Kia Binho é o pai do Roque
Pensei novamente...

Eu precisava registrar e fazer cálculos
Salvar meu copyright com gelo
e umas gotas de vinho derramadas na toalha da mesa
mas por ora, estava apenas imprimindo
mais velocidade às minhas próprias impressões digitais>¨ 
Minhas logomarcas de acrílico nas fezes amareladas das papilas do tempo,
salvaguardar futuros resultados e avaliações

Uma semana depois não encontro meu par de algemas 
e também a Ferro e Fogo e Mão em Brasa não foram mais encontrados 

Girou o antebraço duas vezes para a esquerda e para trás,
procurando por todos os meios de óleo em vão 
mover a maçaneta do ismilinguidor e minhas giletes de iedeas 
cada vez IUaÍs sem cortem, lentamente me transforme em algo
alguma coisa do tipo A um Chupa-Cabra urbano, 
Un Nosferatus INsatisfeito sem sorte
comendo clipes e lesmas com vinagre em 
virtude da flor que se cheirava mal
mulher virtual que me amava através 
de um estopim de geisha 
com gosto de jabá e minha idade de ouro na boca

Sem ter tripas e fazer transferências então 
que entrei pela primeira vez naquela bolha assassina
e me senti muito, mas muito frio mesmo 
correndo pelas esquinas,
Eu vi a Dona Leda na TV vestindo uma festa de hello win 
com uma blusa de florzinha amarela nas mãos contorcidas
segurando o tempo entre as unhas

(Mais uma vez não sei como se escreve o nome desse raio de bruxa americana) 

Lembrei-me mais uma vez daquela tarde
em que todas as pessoas da cidade
haviam se transformado em bonecos playmobil
Depois, no estacionamento do Mc Donalds,
era como se fossemos todos robôs socialistas
cegos manobrando Mavericks vermelhos
cheios de merda de urubu

Falo isso apenas para as pessoas que têm pena
e percebo assustado em seus olhos:
que as palavras saem da minha boca e voam 
E que não são exatamente as mesmas que eu penso dizer, 
ou deseje pronunciar
Isso tem me causado sérios e profundos transtornos
Embaraços no dia a dia

Perdão I Perdão! Pedro II Pedia um, atrás do outro, com o membro eréctil querendo 
perfurar vasos sanguíneos das aveias cheias de pelancas mortas penduradas na varanda, suturadas nas ideias mórbidas,  que todo mundo possa um dia ser, um réptil de osso disposto a morder nossos rostos e nos assustar

Aproximou-se então em mim com silêncio, num sorriso técnico e tétrico no canto esquerdo da boca, que, contudo, cuspia golfadas de fel esverdeado nas mangas longas da minha camiseta branca furada nas costas.

Por tudo isso, nunca mais te quis...

Cuspt!

Não deu em nada.